Opinião

Precisamos falar sobre feminismo e José Mayer | Mariana Geidel

Em meio à acontecimentos como o caso José Mayer, me questiono como é chato ser mulher. Como é chato sentir medo de andar sozinha na rua, de passar numa calçada cheia de garotos ou de usar uma roupa curta ou mais sensual e ser chamada de vadia (a gente pode falar vadia aqui?). É chato quando passam a mão no seu corpo, mas também, você estava pedindo, olha o tamanho daquele shorts. É chato ligar a TV e ver que o Brasil é um dos países mais difíceis para ser mulher no mundo, onde os números de feminicídio e agressões domésticas são altíssimos.

Eu não queria ter que ser feminista em pleno século XXI. Não queria ter que gritar para o mundo que não, é realmente não. O corpo é meu e só meu. Não queria ter que ler declaração do ator “global”, alegando que a vítima é culpada, confundindo a novela com a realidade e só depois de todas as manifestações, dizer que errou.

Queria ler menos comentários questionando a veracidade dos relatos da vítima. Não queria abrir uma revista adolescente e só ler páginas falando sobre maquiagem e como se portar para atrair atenção de um cara. Não queria ter que esperar para mandar mensagem porque existe um joguinho e se eu for fácil demais, o cara perde o interesse.

Nós mulheres sabemos falar sobre política, filmes, músicas, roupas, tecnologia.

Sabemos o que queremos vestir, fazer, rir, assistir.

Sabemos com quem queremos fazer.

Sabemos sobre o que vamos falar e quais fotos postaremos.

Sabemos com quem queremos ficar e aonde.

Sabemos quem somos e há séculos tentamos mostrar para o mundo.

O Feminismo é necessário. Ele não é sobre opressão, é sobre libertação.

Relembre o caso

Se você acessou o seu Instagram nesta terça (04), há uma grande probabilidade de ter visto uma imensidão de fotos rolando pelo seu feed com os dizeres: “mexeu com uma mexeu com todas” aliados com a hashtag #chegadeassedio. Isso aconteceu depois que a figurinista Susllem Tonani acusou o ator global José Mayer de assédio sexual dentro dos camarins da emissora.

Susllem contou ao blog da Folha #AgoraÉQueSãoElas, que Mayer colocou a mão em suas partes íntimas, em fevereiro deste ano, enquanto duas outras mulheres também estavam no camarim. Porém a gota d’água foi quando ele a xingou de vaca no meio do set de filmagens, após a figurinista ter deixado claro que não queria mais ser tocada pelo ator.


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Estudante de jornalismo, deixou pra trás o verde do interior e veio escrever a sorte na terra da garoa. Fascinada por uma boa história contada na mesa de bar, glitters carnavalescos fora de época e pessoas apaixonantes.