Estilo

Como entender um desfile de moda?

A moda nem sempre é um assunto fácil de entender. Mês passado, entre os dias 13 e 17 de março, aconteceu a SPFW e em meio à passarelas inundadas por muito vermelho, meias alongadas, brilho, veludo e mais vermelho é normal que os mais leigos no assunto se sentirem perdidos e não entenderem quais peças do guarda-roupa ainda serão hits na nova estação. As tendências das passarelas às vezes podem não serem muito claras, levando as pessoas ao clássico questionamento: “como vou andar com essa roupa na rua?”

O primeiro passo é entender que aquele modelo está lá mais para mostrar o tema da coleção do que o lado confeccionista em si. O exagero nas cores e estampas são comuns, mas não é preciso se vestir como os modelos do desfile. Looks inteiramente estampados e excessivamente coloridos chegam às lojas resumidos à uma única blusa estampada , por exemplo, pronta para ser usada com uma calça jeans básica. É bom lembrar que o exótico das passarelas será transformado para quando for exposto nas vitrines.

UMA por Raquel Davidowicz, À La Garçonne e Fabiana Milazzo (Foto: Divulgação / Zé Takahashi / Agencia Fotosite)

Dividir a análise em etapas também é uma boa aposta. A editora de moda, Iesa Rodrigues, afirma que os cinco primeiros looks são onde o estilista coloca o conceito da coleção. Assim, dar uma pesquisada no tema e nas inspirações para aquele desfile bem como saber o histórico da marca (o que ela faz, qual público atinge e qual o estilo) é super válido.

A paleta de cores e a textura dos tecidos vale um olhar mais atento. É preciso prestar atenção em quais cores mais aparecem e se há mesclas entre elas. Entender quais partes da silhueta serão valorizadas também é legal. Em geral podemos observar durante o desfile se há ombro marcado, volume no quadril ou abdômen de fora.

Memo, Ellus 2nd Floor e Lolitta (Foto: Francisco Cepeda / AgNews)

Em tempos de Fashion Week, é necessário deixar de lado o olhar torto que fazemos ao afirmar que as roupas apresentadas não ficam bem em qualquer um, e se divertir com a interpretação dos desfiles. A moda influencia as ruas, mas o comportamento das pessoas também dita tendências.

Não por acaso, desfiles como de Yves Sain Laurent na década de 70 foram considerados históricos depois que o estilista francês lançou o smoking feminino numa clara manifestação de apoio ao feminismo. Assim, estar atento às tendências vai além de passarelas glamourizadas e lojas de grife. O estilista soma o contexto social à sua criatividade, por isso a moda não é uma arte fechada e sim interativa.

Estudante de jornalismo, deixou pra trás o verde do interior e veio escrever a sorte na terra da garoa. Fascinada por uma boa história contada na mesa de bar, glitters carnavalescos fora de época e pessoas apaixonantes.