Estilo

Restos de flores são utilizados para tingir roupas

A moda sustentável vem ganhando cada vez mais espaço em nosso cotidiano, tornando seus consumidores mais conscientes diante dos problemas ambientais. Pelo menos 125 milhões de pessoas têm a saúde comprometida pela poluição tóxica, assim designers passaram a buscar alternativas ao corante sintético, como por exemplo, a criação de tintas naturais derivadas de flores.

Reprodução: http://www.caramariepiazza.com/

Depois de descobrir que 40% das flores do comércio são jogadas no lixo, a designer do Brooklyn, em Nova York, Cara Piazza passou a criar matéria têxtil usando apenas tintas naturais derivada de plantas, metais não tóxicos e resíduos alimentares. Piazza recolhe as flores, os buquês e os arranjos de eventos e as transforma em peças de roupas.

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Os tecidos são obtidos de forma ética e sustentável originando-se de algodões orgânicos e fibras, como sedas Ahimsa e Peace. As peças são personalizadas e exclusivas para o comprador, criando edições únicas.

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A designer trata seus tecidos através de sessões de tintura alquímica, técnicas de shibori e tingimento de feixes. Todas essas técnicas são feitas artesanalmente e podem ser produzidas em casa. As flores produzem estampas naturais e originais, reduzindo os resíduos tóxicos jogados nos rios por corantes sintéticos.

Piazza conta com a ajuda de floristas, restaurantes e comerciantes para que estas sejam guardadas antes de serem jogadas fora. “No segundo que uma flor começa a murchar, ela não terá uma boa aparência para um cliente, que é, infelizmente, preocupado com a perfeição da flor”, afirma a artista.

Reprodução: http://www.caramariepiazza.com/

Cara trabalha para uma melhor relação com a natureza, ensinando pessoas a se capacitarem para o consumo sustentável e consciente, ressaltando a importância de reciclar suas roupas.

“Não podemos tratar nossas coisas como se fossem descartáveis. Recicle roupas, dê uma nova vida à isso, doe, transforme”.

A designer afirma que, além de todos os benefícios físicos com o uso do corante natural, há também o lado sentimental. “Em uma cidade onde tudo é tão alto e ocupado o tempo todo, às vezes é apenas bom sentir que algo foi tingido pela natureza e feito com amor. Nós já tivemos uma boa relação com a natureza no passado, e isto está voltando!”, comenta a artista.

Estudante de jornalismo, deixou pra trás o verde do interior e veio escrever a sorte na terra da garoa. Fascinada por uma boa história contada na mesa de bar, glitters carnavalescos fora de época e pessoas apaixonantes.