Agora existe uma grande probabilidade de que o presidente dos EUA, Donald Trump, ordene ataques aéreos contra o Irã.
De certa forma, Trump se colocou em uma situação delicada, declarando desafiadoramente que, caso o regime iraniano abra fogo contra seu próprio povo, os EUA agirão contra ele.
Ele disse aos manifestantes que a ajuda está a caminho. Que ajuda? E quando?
O regime fez exatamente o que Trump havia alertado para não fazer. Embora a falta de informações tenha dificultado a avaliação da extensão exata do número de mortos, é evidente que centenas, senão milhares, de manifestantes iranianos foram mortos pelas forças de segurança do país.
Então, quais são as opções militares de Trump?
Neste momento, a mais provável são os ataques aéreos contra bases militares e depósitos controlados pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e seus agentes civis, a milícia Basij.
A Basij será um alvo possível para os EUA, pois é vital para tentar reprimir esses protestos. Os membros da Basij são voluntários que respondem à IRGC. Muitos locais de trabalho têm membros da Basij — muitas vezes, seus colegas podem nem saber ao certo que eles são da Basij, mesmo que tenham suspeitas.
Um membro da Basij recebe muitos benefícios — como empregos cobiçados ou vagas em universidades para as quais não se qualificaria de outra forma.
Mas há uma condição: a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) pode convocá-los a qualquer momento para fazer o que for necessário para “proteger a Revolução Islâmica”.
Agora é a hora em que a IRGC cobrará essas dívidas. Eles instruirão a Basij a abrir caminho entre as multidões e tentar dispersá-las.
Em 2009, vi membros da Basij tentando dispersar multidões. Eles andam de moto, geralmente vestidos de preto e frequentemente com os rostos cobertos por lenços para proteger suas identidades.
Vi alguns com porretes que, sem aviso prévio, começavam a agredir membros da multidão. Outros carregavam facões. Eles vagam pelas ruas como gangues, muitas vezes em grupos de 15 ou 20 pessoas.
Muitos dos manifestantes conhecem o medo que a chegada de 15 ou 20 membros da Basij a um local pode instaurar. A Basij pode matar — e mata — impunemente.
O que preocupa a Basij neste momento é se o tamanho das multidões pode significar que, ao tentarem dispersar um protesto, correm o risco de serem subjugados, apesar de estarem armados com correntes de bicicleta, facas e facões.
Se isso acontecesse em todo o país, seria um ponto de inflexão para os manifestantes.
Este seria o ponto em que o regime poderia começar a perder o controle das ruas.