As vendas do varejo na Grã-Bretanha caíram 0,5% em julho de 2026, contrariando a expectativa de que a forte onda de calor e a Copa do Mundo de Futebol impulsionassem o consumo. Embora supermercados tenham registrado maior procura por alimentos, bebidas geladas e produtos de verão, o desempenho negativo das lojas de roupas, móveis e departamentos acabou pesando no resultado geral do setor.
Os dados foram divulgados pelo Office for National Statistics (ONS) e mostram que o consumo presencial foi prejudicado pelas temperaturas extremas, levando muitos consumidores a permanecerem em casa ou optarem por bares e restaurantes para acompanhar os jogos da Copa.
Calor aumenta consumo de alimentos e bebidas, mas não salva o varejo
O mês de julho foi marcado por temperaturas acima da média em diversas regiões do Reino Unido. Esse cenário elevou a procura por:
Bebidas geladas e refrigerantes;
Sorvetes e alimentos congelados;
Produtos para churrasco e piqueniques;
Frutas e refeições prontas para consumo.
Mesmo com esse crescimento nas vendas de alimentos, o impacto foi insuficiente para compensar a queda registrada em outros segmentos do comércio.
Especialistas apontam que muitos consumidores preferiram assistir aos jogos da Copa do Mundo em pubs e bares, onde o consumo não entra nas estatísticas oficiais do varejo.
Lojas de roupas e móveis lideram as perdas
Os maiores prejuízos ocorreram entre os varejistas de produtos não alimentícios.
Segundo o ONS:
As vendas de lojas de roupas recuaram cerca de 1,3%.
Lojas de móveis e decoração também registraram queda significativa.
Grandes lojas de departamento enfrentaram menor fluxo de clientes durante o calor intenso.
Analistas explicam que muitas promoções de verão aconteceram antecipadamente em junho, reduzindo as compras em julho.
Copa do Mundo movimentou bares, não o comércio tradicional
Embora o torneio tenha impulsionado o consumo, boa parte dos gastos ocorreu no setor de hospitalidade.
A British Beer & Pub Association informou que aproximadamente 30 milhões de pintas de cerveja extras foram vendidas durante a Copa do Mundo, gerando cerca de £150 milhões em receita para pubs britânicos.
The Guardian
Isso significa que parte do dinheiro dos consumidores migrou do varejo tradicional para bares e restaurantes.
Economia britânica ainda demonstra sinais de recuperação
Apesar da queda mensal, economistas afirmam que o resultado pode representar apenas uma desaceleração temporária.
Indicadores recentes mostram:
Indicador
Situação
Vendas do varejo (julho)
Queda de 0,5%.
Vendas no trimestre Crescimento acumulado nos últimos três meses.
Confiança do consumidor Maior nível em aproximadamente dois anos.
Setor de serviços Continua apresentando expansão.
Economistas destacam que a confiança dos consumidores melhorou nos últimos meses, favorecida pela desaceleração da inflação e pelo fortalecimento do setor de serviços.
business live
+1
O que pode acontecer nos próximos meses?
O mercado acompanha alguns fatores que podem influenciar o consumo britânico até o fim de 2026:
Possíveis aumentos de impostos no próximo orçamento do governo.
Alta dos preços da energia durante o inverno europeu.
Continuação da pressão inflacionária sobre o orçamento das famílias.
Reuters
+1
Mesmo assim, varejistas esperam recuperar parte das vendas com as campanhas de outono e o início da temporada de compras de fim de ano.
Impacto para consumidores e empresas
A queda nas vendas mostra como eventos climáticos extremos podem alterar o comportamento de consumo. Enquanto supermercados e estabelecimentos de alimentação foram beneficiados pelo calor, o comércio de roupas, móveis e produtos para casa enfrentou menor movimentação nas ruas.
O desempenho do varejo nas próximas semanas será observado de perto por investidores e pelo Banco da Inglaterra, já que o consumo das famílias continua sendo um dos principais motores da economia britânica.