O Brasil anunciou uma nova etapa de investimentos voltados à inteligência artificial, supercomputação e proteção de dados, com projetos que buscam ampliar a capacidade tecnológica do país e reduzir a dependência de infraestrutura estrangeira. Entre as principais iniciativas estão a implantação do supercomputador PAX RN e o desenvolvimento da chamada Nuvem Brasileira.
Supercomputador PAX RN deve ampliar capacidade de IA
O principal anúncio envolve a criação de uma nova estrutura de supercomputação no Rio Grande do Norte. O projeto PAX RN deverá ser utilizado em pesquisas de inteligência artificial, modelagem computacional e aplicações científicas e produtivas.
Segundo as informações divulgadas, está previsto um processo de contratação de cerca de R$ 1 bilhão para a aquisição do equipamento. A iniciativa integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, lançado como estratégia para fortalecer a infraestrutura tecnológica nacional.
Plano brasileiro aposta em três áreas estratégicas
A estratégia nacional apresentada pelo governo se apoia em três frentes principais:
ampliação da capacidade de processamento computacional;
desenvolvimento de modelos nacionais de inteligência artificial;
gestão e proteção segura de dados.
A proposta busca criar um ecossistema tecnológico capaz de apoiar pesquisas, empresas, universidades e serviços públicos, além de enfrentar limitações de infraestrutura e a escassez de profissionais especializados.
Nuvem Brasileira busca reforçar controle sobre dados públicos
Outro ponto central dos anúncios é o projeto da Nuvem Brasileira, voltado à ampliação da infraestrutura pública de armazenamento e processamento de dados.
A iniciativa pretende desenvolver uma estrutura baseada em tecnologia nacional e operada por órgãos públicos. O projeto envolve cooperação entre o Ministério da Gestão e da Inovação, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e o Serpro. A expectativa é que o modelo reduza a dependência de infraestrutura estrangeira e fortaleça a autonomia na administração de serviços digitais.
IA em português e espanhol entra nos planos
O governo também trabalha em parcerias internacionais para o desenvolvimento de grandes modelos de linguagem voltados ao português brasileiro e ao espanhol, dentro de uma proposta de cooperação pan-americana.
Outra frente envolve o uso de tecnologias abertas, como a arquitetura RISC-V, com o objetivo de diversificar fornecedores e diminuir a dependência de sistemas proprietários.
Transparência e segurança também fazem parte da estratégia
Além da infraestrutura, o plano prevê a criação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável, em cooperação com a Universidade Federal de Minas Gerais. A proposta é estabelecer diretrizes relacionadas à governança, transparência e uso responsável da inteligência artificial.
Brasil busca maior autonomia tecnológica
Os projetos reforçam a tentativa do Brasil de conquistar maior capacidade própria em áreas consideradas estratégicas para a economia digital. A intenção não é atuar de forma isolada, mas ampliar parcerias internacionais sem abrir mão do controle sobre infraestrutura, dados e tecnologias essenciais.
Os investimentos devem contar com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e também poderão atrair participação da iniciativa privada. O avanço dos projetos poderá representar um passo importante para a presença brasileira na corrida global pela inteligência artificial e pela supercomputação.