A inovação e o empreendedorismo na Índia se desenvolvem em um ambiente global marcado por fragilidade, alavancagem e margens de segurança cada vez menores. O Relatório Econômico 2025-2026 reconhece o papel da tecnologia e da inovação na sustentação do crescimento, mas alerta que as recentes fases de investimento altamente alavancado em tecnologia e infraestrutura de IA se baseiam em cronogramas de execução otimistas, baixa concentração de clientes e compromissos de capital de longo prazo.
“Fragilidade, incerteza e choques episódicos são características cada vez mais estruturais do sistema”, segundo o Relatório, com os países enfrentando “uma margem de segurança menor”.
Com o capital ainda estruturalmente caro e as reservas externas finitas, o crescimento dissociado de ganhos de produtividade, competitividade das exportações e solidez do balanço patrimonial acarreta riscos crescentes. Nesse ambiente, a perseverança, a disciplina na execução e a competitividade — e não a exuberância — determinarão quais empresas sobreviverão. Para as startups, a implicação mais imediata reside no capital.
O estudo avalia por que o dinheiro continua caro na Índia, argumentando que “o alto custo de capital na Índia é uma consequência macroeconômica estrutural” ligada a déficits persistentes em conta corrente e à dependência de poupança externa. Em termos práticos, isso sugere que a era de financiamento abundante e de baixo custo — particularmente para empreendimentos deficitários de longa maturação — dificilmente retornará em breve.
O estudo aborda a tecnologia e a inteligência artificial. Referindo-se às tendências globais, alerta que a recente fase de investimentos altamente alavancados em infraestrutura de IA expôs modelos de negócios dependentes de cronogramas de execução otimistas, baixa concentração de clientes e compromissos de capital de longo prazo. Embora o comentário tenha alcance global, sua relevância para as startups de IA e tecnologia avançada da Índia é clara: alavancagem, projeções de escala e monetização tardia agora representam um risco sistêmico.
O estudo afirma que uma correção nesse segmento não acabaria com a adoção tecnológica, mas poderia restringir as condições financeiras, desencadear aversão ao risco e se espalhar para os mercados de capitais em geral. Caso tais desenvolvimentos coincidam com uma escalada geopolítica ou uma interrupção do comércio, a interação resultante poderá produzir uma contração mais acentuada da liquidez, um enfraquecimento repentino dos fluxos de capital e uma mudança para respostas econômicas defensivas em todas as regiões. “Embora este seja um cenário de baixa probabilidade, suas consequências seriam significativamente assimétricas. As consequências macroeconômicas poderiam ser piores do que as da crise financeira global de 2008”, afirmou o estudo.
Ao mesmo tempo, o estudo não descarta a inovação. Um capítulo inteiro sobre inteligência artificial posiciona a IA como economicamente relevante, destacando também a governança, a arquitetura de dados e a segurança. A ênfase, no entanto, está na adoção gradual e na preparação institucional, em vez da experimentação irrestrita. Nesse ambiente, a disciplina de execução importa tanto quanto a ambição tecnológica.
O estudo afirmou que as startups focadas na curadoria de dados de treinamento de IA ainda não conseguiram escalar na Índia, limitando a capacidade do país de explorar seus vastos recursos de dados. A Índia representa cerca de 2% das startups globais em dados de treinamento de IA, em comparação com 40% nos EUA, 21% na União Europeia e 9% no Reino Unido, enquanto a China responde por aproximadamente 5%, segundo o relatório, que cita dados do Banco Mundial.
“A Índia possui uma vantagem potencial considerável em termos de fontes de dados domésticas, mas esse recurso permanece subutilizado”, afirma o relatório.
O documento aponta que o desenvolvimento global de IA está divergindo entre modelos de vanguarda com uso intensivo de capital e abordagens descentralizadas e orientadas a aplicações, argumentando que a Índia deveria se concentrar em modelos menores e específicos para cada setor, dadas as limitações de poder computacional e financiamento.
O relatório se mostra mais construtivo para startups nos setores de manufatura, logística e atividades ligadas à exportação. Ele enfatiza repetidamente que as exportações de serviços, embora valiosas, “não são um substituto para os ecossistemas de exportação de bens que, em última análise, sustentam a estabilidade externa e cambial duradoura”. Para as startups, isso aponta para oportunidades em tecnologia industrial, software para cadeia de suprimentos, eficiência energética, eletrônica e plataformas que ajudam pequenos fabricantes a escalar seus negócios.
O papel do Estado também ganha destaque. Partindo da ideia de um “Estado empreendedor”, o estudo defende plataformas com foco em missões específicas, inovação orientada por compras governamentais e desregulamentação que transforme o governo de controlador em facilitador. Esses sinais são importantes para startups que atuam em setores como clima, defesa, saúde e infraestrutura, onde o Estado costuma ser o maior cliente.