CORTINA D’AMPEZZO, Itália (AP) — Mikaela Shiffrin está a uma descida perfeita de encerrar um jejum de oito anos sem medalhas olímpicas.
A estrela americana do esqui acertou sua primeira descida no slalom feminino em Tofane, na quarta-feira, com o tempo de 47,13, o que lhe deu uma confortável vantagem de 0,82 segundos sobre a alemã Lena Duerr entre as primeiras competidoras.
Shiffrin, de 30 anos, a esquiadora mais premiada de todos os tempos, largou bem, mas pareceu ter problemas depois de tropeçar em um dos portões na metade da descida. Ela se recuperou rapidamente e comemorou com um soco no ar — uma rara demonstração de emoção em público — ao ver seu tempo.
Cornelia Oehlund, da Suécia, ficou em terceiro lugar, exatamente um segundo atrás. Camille Rast, da Suíça, está em quarto, 1,05 segundos atrás, seguida pela compatriota Wendy Holdener.
Shiffrin entrou no portão de largada ainda em busca de sua primeira medalha olímpica nas Dolomitas. A chance de ouro no combinado feminino terminou com um quarto lugar após uma descida surpreendentemente lenta no slalom — ela ficou em 15º lugar — o que a fez cair do pódio junto com sua companheira de equipe, Breezy Johnson.
As coisas não foram muito melhores — pelo menos em termos de colocação — durante o slalom gigante no domingo, onde ela terminou em 11º. Mesmo assim, Shiffrin manteve o otimismo, apontando para a pequena diferença entre ela e o pódio — três décimos de segundo — como prova de que estava recuperando a forma.
A realidade é que uma medalha no slalom gigante teria sido um bônus. Ela chegou a Tofane após conquistar seu primeiro pódio na prova em dois anos e dificilmente era considerada uma das favoritas.
O slalom, no entanto, é diferente. Shiffrin já garantiu seu nono título da temporada da Copa do Mundo em sua melhor disciplina, graças a sete primeiros lugares e um segundo lugar em oito provas. Largando em sétimo lugar sob um céu azul cristalino, em um percurso que os dirigentes da equipe dos EUA descreveram a ela pelo rádio como uma “prova de ritmo acelerado”, Shiffrin foi impecável. Agressiva desde o início — seu tempo no primeiro segmento foi o mais rápido entre as corredoras mais experientes — seu único deslize ocorreu quando bateu em um portão.
Por uma fração de segundo, pareceu que ela estava rumando para mais uma decepção olímpica. Mas não desta vez. Ela recuperou a forma imediatamente, seus quadris guiando suas pernas para frente e para trás de forma quase hipnótica, enquanto redescobria o ritmo e a técnica que a consagraram vencedora desta prova mais de 70 vezes ao longo de sua carreira recordista.
Uma dessas vitórias aconteceu em Sochi, há doze anos, quando Shiffrin conquistou o ouro com facilidade, ainda adolescente. Ela agora é considerada talvez a maior corredora de todos os tempos, embora assombrada pelo desempenho desastroso em seis participações nos Jogos Olímpicos de Pequim, quatro anos atrás.
Shiffrin estava convicta de que havia deixado para trás aqueles dias difíceis na China quando chegou às encostas acidentadas das Dolomitas.
Se ela conseguir repetir a mesma performance da primeira corrida, provavelmente terá conseguido.