Forte comércio exterior mascara pressões deflacionárias, queda no mercado imobiliário e redução de investimentos
PEQUIM
A economia chinesa atingiu sua meta de crescimento anual de cerca de 5% no ano passado, impulsionada por fortes exportações, apesar da fraca demanda interna, das pressões deflacionárias e da incerteza alimentada pelas tarifas americanas.
O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 5%, atingindo 140,1 trilhões de yuans, ou US$ 20,1 trilhões, pela primeira vez, segundo dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas. O crescimento atingiu a meta de Pequim, mesmo com indicadores econômicos importantes mostrando instabilidade.
Esperava-se que as tarifas impostas pelo presidente americano Donald Trump desacelerassem as exportações chinesas, mas o robusto comércio exterior ajudou a compensar o consumo e a demanda interna fracos. Embora a produção tenha se expandido, a queda nos preços ao produtor, a estagnação dos preços ao consumidor e uma prolongada recessão no setor imobiliário pesaram sobre o crescimento.
A economia da China cresceu 2,2% em 2020, 8,4% em 2021, 3% em 2022, 5,2% em 2023 e 5% em 2024, segundo dados oficiais.
A produção industrial aumentou 5,9% no ano passado, enquanto a produção do setor de serviços cresceu 5,4% e as vendas no varejo subiram 3,7%. Ao mesmo tempo, o investimento em ativos fixos — incluindo infraestrutura, imóveis, máquinas e equipamentos — caiu 3,8%. A utilização da capacidade industrial caiu para 74,9% no final de 2025, uma queda de 1,3 ponto percentual em relação ao ano anterior.
A recessão no setor imobiliário continuou a se agravar. O investimento imobiliário caiu 17,2% em relação ao ano anterior em 2025, enquanto os preços de imóveis novos recuaram 12,6%. O investimento imobiliário atingiu o pico de 14,7 trilhões de yuans, ou US$ 2,1 trilhões, em 2021, antes de cair para 8,2 trilhões de yuans, ou US$ 1,1 trilhão, em 2025.
As pressões no mercado de trabalho também persistiram. A taxa de desemprego urbano na China subiu 0,1 ponto percentual, para 5,2% no final de 2025. O desemprego entre os jovens permaneceu elevado, com a taxa de desemprego para pessoas de 16 a 24 anos em 15,7% e 16,5% em 2025, respectivamente, superando a taxa de desemprego geral.
Os preços ao consumidor permaneceram estáveis no ano passado, enquanto os preços ao produtor continuaram a cair. O Índice de Preços ao Consumidor não apresentou aumento anual em 2025, após subir 0,2% em 2024, permanecendo bem abaixo da meta de inflação de 2% estabelecida por Pequim. O Índice de Preços ao Produtor (IPP) caiu 3% em 2023, 2,2% em 2024 e 2,6% em 2025.
A China mantém a inflação abaixo de 1% desde março de 2023, o que levou as autoridades a reduzirem a meta anual de inflação dos tradicionais 3% para 2% em 2024. Enquanto muitas economias desenvolvidas lutavam contra a alta inflação após a pandemia de COVID-19, a China enfrentou uma persistente pressão deflacionária.
As exportações provaram ser um importante motor de crescimento. As exportações chinesas aumentaram 5,5% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 3,77 trilhões em 2025, enquanto as importações permaneceram estáveis em US$ 2,58 trilhões, segundo a Administração Geral de Alfândegas. O superávit comercial do país alcançou o recorde de US$ 1,19 trilhão.
O comércio com os EUA enfraqueceu em meio às tensões tarifárias, com as exportações chinesas para os EUA caindo 20%. As exportações para outras regiões, no entanto, aumentaram acentuadamente, com um crescimento de 13,4% para a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), 8,4% para a União Europeia, 7,4% para a América Latina e 25,8% para a África.
Os fluxos de investimento estrangeiro permaneceram sob pressão. A China recebeu 693,1 bilhões de yuans, ou US$ 98,4 bilhões, em investimento estrangeiro direto (IED) de janeiro a novembro de 2025, enquanto o capital estrangeiro em uso caiu 7,5% em relação ao ano anterior, segundo o Ministério do Comércio. O IED caiu 8% em 2023, a primeira queda desde 1998, e recuou mais 27,1% em 2024, a maior queda já registrada.
Analistas atribuíram a desaceleração do investimento estrangeiro ao aumento dos riscos geopolíticos ligados às sanções tecnológicas dos EUA, às políticas protecionistas do segundo mandato de Trump, aos esforços dos países ocidentais para reduzir a dependência econômica da China e às mudanças em curso nas cadeias de suprimentos globais.