Uma análise do estado da economia bielorrussa sugere uma estagnação contínua, com alta probabilidade de uma recessão mais acentuada caso as condições externas se deteriorem.
Segundo a agência de notícias ucraniana Ukrinform, essa posição é compartilhada pelo Serviço de Inteligência Estrangeira da Ucrânia.
No início do ano, a fragilidade econômica da Bielorrússia assumiu um caráter sistêmico e não se limita a problemas isolados em setores específicos.
De acordo com especialistas do projeto “Monitoramento da Economia Bielorrussa”, o país está entrando em um período em que mesmo a ausência de novos choques significará estagnação, e qualquer deterioração das condições externas levará a um declínio rápido.
Ao longo do ano, o crescimento desacelerou gradualmente: 0,8% no terceiro trimestre e 0,4% no quarto. Assim, no primeiro trimestre de 2026, o PIB poderá, segundo as previsões, repetir o nível do ano anterior devido à fraca demanda no mercado russo.
Segundo a Ukrinform, a Bielorrússia está impulsionando seu comércio com a Federação Russa, à medida que as exportações para fora da CEI diminuem.
No primeiro trimestre de 2026, o PIB poderá, de acordo com as previsões, repetir o nível do ano anterior devido à fraca demanda no mercado russo. O principal impacto recai sobre o setor industrial: em vez de uma fonte de apoio, tornou-se um entrave para a economia em geral.
A produção industrial caiu 1,8% no ano. Nem mesmo o crescimento nas vendas de fertilizantes potássicos e no fornecimento de petróleo russo para refinarias bielorrussas conseguiu compensar a queda em empresas-chave, como a Fábrica de Tratores de Minsk e a Usina Metalúrgica da Bielorrússia. No primeiro trimestre, espera-se um aprofundamento da retração industrial para 3-5%.
As expectativas de apoio externo também não se concretizam: a economia russa, da qual dependem as exportações bielorrussas, permanece em um estado de recuperação tardia, essencialmente com perspectivas pessimistas. A demanda interna não consegue compensar essa deficiência: em 2025, o crescimento desacelerou de 12% para 6%.
A política monetária cria riscos adicionais. O foco do Banco Nacional é estimular a atividade econômica, o que aumenta a probabilidade de afrouxamento das condições monetárias e de crédito no primeiro trimestre, mas, ao mesmo tempo, ameaça gerar instabilidade inflacionária. A inflação geral do ano ultrapassou os 7%, e nos próximos meses a situação poderá deteriorar-se.