A entrada da Bulgária na zona do euro trará um impulso limitado para a economia, afirma a Capital Economics.

A entrada da Bulgária na zona do euro trará um impulso limitado para a economia, afirma a Capital Economics.

Um espetáculo de luzes dedicado à adesão da Bulgária à zona do euro é projetado na fachada do Banco Nacional da Bulgária, em Sófia, Bulgária, em 1º de janeiro de 2026. / Banco Central Europeu

Por Clare Nuttall em Glasgow, 15 de janeiro de 2026

A entrada da Bulgária na zona do euro neste mês provavelmente não transformará a trajetória econômica do país, com a convergência de renda em direção à Europa Ocidental prevista para permanecer lenta na próxima década, afirmou a Capital Economics em um relatório publicado em 14 de janeiro.

O país adotou o euro em 1º de janeiro, tornando-se o 21º membro do bloco da moeda única e o mais pobre. Embora se espere que os padrões de vida continuem a se aproximar dos do restante do bloco, o ritmo ficará atrás do observado em outras economias da Europa Central e Oriental em um estágio de desenvolvimento semelhante.

“Prevemos que o PIB per capita suba de cerca de 40% da média da zona do euro para cerca de 55% até 2035, deixando a Bulgária na base da distribuição de renda da zona do euro”, afirmou a Capital Economics.

Analistas argumentaram que a adesão ao euro teria “apenas um pequeno impacto macroeconômico”, pois a Bulgária já havia efetivamente abdicado da política monetária sob seu regime cambial de longa data, que atrelava o lev primeiro ao marco alemão e depois ao euro.

“O regime cambial de longa data da Bulgária já havia proporcionado a maior parte dos benefícios associados à eliminação do risco cambial”, afirmou a Capital Economics, acrescentando que quaisquer ganhos com menores exigências de reservas, spreads de títulos mais estreitos ou um suporte mais forte do BCE seriam “marginais ou já ocorreram”.

Ainda assim, a perspectiva de curto prazo parece relativamente positiva. A Capital Economics prevê um crescimento do PIB em torno de 3% em 2026-27, tornando a Bulgária uma das economias de crescimento mais rápido da zona do euro, impulsionada principalmente pelo forte consumo das famílias. A inflação, que se situou em 3,7% em novembro, deverá diminuir, mas permanecer acima da meta de 2% do Banco Central Europeu até 2027.

“Embora o déficit fiscal possa permanecer próximo ao limite superior das regras fiscais da UE, em 3% do PIB – particularmente em função dos recentes protestos e da renovada turbulência política –, a baixíssima dívida pública da Bulgária sugere que as finanças públicas não representarão um grande risco para a estabilidade macroeconômica nos próximos anos”, afirma o relatório.

A longo prazo, contudo, as perspectivas da Bulgária serão moldadas por uma população em declínio e envelhecimento e por ganhos de produtividade apenas moderados. A população em idade ativa deverá cair cerca de 7% até 2035, uma das maiores quedas da União Europeia.

O crescimento da produtividade deverá ficar em torno de 3% ao ano, em média, acima da média da zona do euro, mas abaixo da média de alguns países da região. “Isso seria superior às nossas previsões para a República Tcheca e a Hungria, mas inferior à da Polônia”, conclui o relatório.

A Capital Economics observou que a Bulgária poderia ter um desempenho superior se fortalecer seu setor de TI, aprimorar a governança e fizer melhor uso dos fundos da UE.

Enquanto isso, a instabilidade política e a corrupção continuam sendo grandes riscos. A Bulgária realizou sete eleições desde 2021 e outras estão previstas para 2026, após a recente queda do governo de Rossen Zhelyakov.

“Os riscos negativos incluem a instabilidade política, que pode resultar em déficits fiscais excessivos e governança mais frágil, bem como a incapacidade de acessar os substanciais fundos da UE disponíveis”, afirmou o relatório.

A corrupção persistente também pesa sobre o investimento e o crescimento. A Bulgária está entre os últimos colocados da UE no índice de corrupção da Transparência Internacional, e um estudo do Banco Mundial citado pela Capital Economics constatou que “manipulação de licitações e comportamento de cartel” podem inflar os custos de compras públicas em até 50%.

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