Putin exige mais impostos enquanto o crescimento da Rússia desacelera drasticamente na economia em tempos de guerra.

Putin exige mais impostos enquanto o crescimento da Rússia desacelera drasticamente na economia em tempos de guerra.

O presidente russo, Vladimir Putin, está tomando medidas para aumentar a arrecadação de impostos, à medida que a economia do país, afetada pela guerra, enfrenta dificuldades.

Consumidores e empresas de tecnologia enfrentarão taxas mais altas, enquanto o Kremlin busca novas receitas.

Sanções e a queda nos preços do petróleo continuam pressionando os cofres da Rússia.

O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou um “aumento significativo” na arrecadação e fiscalização de impostos este ano, enquanto a economia russa, afetada pela guerra, continua perdendo fôlego.

O Kremlin anunciou a diretiva no sábado, após uma reunião do Conselho para o Desenvolvimento Estratégico e Projetos Nacionais no início de dezembro.

Parte desse aumento virá do aumento do imposto sobre o consumo, que subiu de 20% para 22% em 1º de janeiro. Espera-se que esse aumento gere cerca de 1 trilhão de rublos, ou US$ 12,3 bilhões, em receitas tributárias.

A Rússia também planeja introduzir um novo imposto sobre eletrônicos em setembro.

A pressão por uma arrecadação de impostos mais agressiva ocorre em um momento em que o crescimento da Rússia desacelerou a quase estagnação, quase quatro anos após a invasão em larga escala da Ucrânia.

Embora a economia russa, afetada pelas sanções em tempos de guerra, tenha demonstrado resiliência nos primeiros anos do conflito, rachaduras estão surgindo à medida que os preços persistentemente baixos do petróleo cobram seu preço.

Em novembro, o PIB cresceu apenas 0,1% em relação ao ano anterior, segundo dados oficiais. A produção industrial caiu 0,7%.

No terceiro trimestre, o PIB da Rússia cresceu 0,6% em relação ao ano anterior — um resultado bem inferior aos 1,1% do segundo trimestre e aos 1,4% do primeiro.

Putin também ordenou que as autoridades restaurem o crescimento econômico e a atividade de investimento, ao mesmo tempo em que abordam os problemas estruturais em setores-chave da economia.

Ao mesmo tempo, espera-se que o governo mantenha a inflação sob controle, com a meta para o final de 2026 definida dentro da faixa de previsão do banco central, de 4% a 5% — abaixo dos 6% esperados em 2025 e 9,5% em 2024.

Pressão nos preços do petróleo

Os preços do petróleo caíram 20% em 2025 devido à ampla oferta e à desaceleração do crescimento da demanda.

Os desdobramentos no mercado global de petróleo podem aumentar essa pressão. A incursão dos EUA na Venezuela no fim de semana deve alterar os cálculos dos mercados de energia.

O investidor de “A Grande Aposta”, Michael Burry, escreveu na segunda-feira que o petróleo russo “simplesmente se tornou menos importante” no médio e longo prazo. Ele afirmou que explorar o petróleo venezuelano poderia fortalecer os EUA e “reduzir a renda e o poder da Rússia”.

Essa visão foi compartilhada por John E. Herbst, diretor sênior do Centro Eurásia do Atlantic Council e ex-embaixador dos EUA na Ucrânia, que apontou para os planos do presidente Donald Trump em relação ao petróleo venezuelano. “Trump afirmou que pretende recolocar o petróleo venezuelano — ainda sob duras sanções — no mercado”, escreveu Herbst na segunda-feira.

“Embora isso possa levar algum tempo, ajudará a atingir seu objetivo de reduzir os preços do petróleo para os consumidores americanos (e, portanto, globais). Isso representará mais um grande golpe para a economia russa”, acrescentou.

A Venezuela detém algumas das maiores reservas de petróleo do mundo. Mas analistas afirmam que a revitalização da indústria petrolífera do país pode levar anos devido à infraestrutura obsoleta, décadas de subinvestimento, sanções e instabilidade política.

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