Washington – Os Estados Unidos designaram, na terça-feira, as filiais da Irmandade Muçulmana no Egito, Líbano e Jordânia como organizações terroristas, atendendo a uma antiga reivindicação de aliados árabes e conservadores americanos.
Fundado em 1928 no Egito, o movimento pan-islamista já se espalhou por todo o mundo árabe, mas vem recuando devido à forte pressão das principais potências árabes.
“Essas designações refletem as ações iniciais de um esforço contínuo e sustentado para impedir a violência e a desestabilização promovidas pelas filiais da Irmandade Muçulmana onde quer que ocorram”, afirmou o Secretário de Estado Marco Rubio em comunicado.
“Os Estados Unidos usarão todas as ferramentas disponíveis para privar essas filiais da Irmandade Muçulmana dos recursos necessários para se envolverem ou apoiarem o terrorismo.”
As designações significam que os Estados Unidos bloquearão quaisquer ativos da Irmandade Muçulmana na maior economia do mundo e criminalizarão transações com a organização.
A medida também dificulta severamente a capacidade de seus membros de viajarem para os Estados Unidos.
Em novembro, o presidente Donald Trump iniciou o processo para tomar medidas contra a Irmandade Muçulmana.
O governo Trump designou os grupos, em parte, com base no apoio que demonstram ao Hamas, o grupo armado palestino há muito classificado como terrorista pelos Estados Unidos.
O Departamento do Tesouro afirmou que as filiais egípcia e jordaniana da Irmandade Muçulmana coordenaram ações com o Hamas, cujo ataque massivo contra Israel em 7 de outubro de 2023 desencadeou uma ofensiva israelense de grande magnitude em Gaza.
O Departamento de Estado afirmou que, no Líbano, a Irmandade Muçulmana, um movimento sunita, aliou-se ao Hezbollah, o grupo militante xiita apoiado pelo Irã, no lançamento de foguetes contra Israel.
A Irmandade Muçulmana libanesa “pressionou por um alinhamento mais formal com o eixo Hezbollah-Hamas”, afirmou o Departamento de Estado.
O movimento ascendeu ao poder no Egito de forma democrática, por meio da eleição de Mohamed Morsi em 2012, após a queda do antigo governante Hosni Mubarak, que havia imposto uma proibição à Irmandade Muçulmana, embora algumas de suas atividades fossem toleradas, incluindo sua rede de serviços sociais.
Morsi foi deposto em 2013 num golpe de Estado liderado pelo então chefe militar Abdel Fattah al-Sisi, que desde então tem promovido uma repressão generalizada contra a Irmandade Muçulmana.
O Egito, assim como as monarquias aliadas dos EUA, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, há muito tempo buscam suprimir a Irmandade Muçulmana, cuja visão defende a criação de um califado islâmico unificado.
A Irmandade Muçulmana ganhou força na Jordânia, onde seu braço político é o principal partido de oposição no parlamento.
Em abril do ano passado, a Jordânia proibiu a Irmandade Muçulmana, ordenando a confiscação de seus bens, após acusar o movimento de acumular armas e planejar desestabilizar o reino, que possui um acordo de paz com Israel.
Nos últimos anos, conservadores americanos também têm se aproveitado da Irmandade Muçulmana, alguns disseminando a teoria da conspiração infundada de que a organização está infiltrada no governo dos EUA com o objetivo de impor a lei islâmica da sharia.
Parlamentares republicanos têm buscado repetidamente a proibição da Irmandade Muçulmana, na esperança de cortar o financiamento do movimento.
Os Estados Unidos haviam adiado a designação em parte por receio de prejudicar as relações com a Turquia, cujo presidente, Recep Tayyip Erdogan, tem uma profunda e antiga afinidade ideológica com a Irmandade Muçulmana.
Trump mantém uma relação geralmente positiva com Erdogan e também minimizou as duras críticas do líder turco à ofensiva israelense em Gaza.