Os torcedores brasileiros esperavam que Vinicius Junior fosse seu herói. Ele chegou | Vinícius Junior


“Estou muito feliz em ver você feliz. Vivendo um sonho. É o Brasil”, escreveu Vinícius Júnior no Instagram após a vitória do Brasil por 3 a 0 sobre a Escócia. Na fotografia ao lado, ele estava com os braços abertos – no estilo de seu companheiro de equipe no Real Madrid, Jude Bellingham. Quando Bellingham fez aquela pose depois de marcar pela Inglaterra na Euro 2024, ele gritou: “Quem mais?” Quando Vinícius encontrou a rede parecia mais que ele estava dizendo: “Cheguei”.

Demorou um pouco. Vinícius somou sua primeira internacionalização na derrota por 1 a 0 em um amistoso contra o Peru em 2019 e estava principalmente no banco quando o Brasil sediou a Copa América em 2021. Ele não marcou seu primeiro gol pela seleção até sua 19ª participação – uma goleada por 4 a 0 sobre o Chile nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022. Quando a Copa do Mundo começou no Catar, no final daquele ano, ele havia adicionado finalização clínica à sua velocidade e havia maiores expectativas.

Vinícius chegou ao torneio como vencedor da Liga dos Campeões, tendo marcado o único gol da final, quando o Real Madrid venceu o Liverpool no Stade de France. Dado esse faturamento, seu impacto no torneio – um gol (o segundo em 28 partidas pela seleção) e duas assistências na derrota do Brasil pela Croácia nos pênaltis nas quartas-de-final – foi abaixo da média. Mas o público brasileiro não esperava que ele fosse o personagem principal. Esse papel ainda era ocupado por Neymar.

Quando Neymar se machucou nas eliminatórias da Copa do Mundo contra o Uruguai, em outubro de 2023, o peso de uma nação exigente e sempre expectante caiu sobre os ombros de Vinícius e, em menor medida, de Rodrygo e Raphinha. Ele foi para a Copa América em 2024 depois de marcar em mais uma final vitoriosa da Liga dos Campeões, mas não conseguiu atingir o mesmo nível no torneio. Ele foi suspenso quando o Brasil perdeu para o Uruguai nas quartas de final nos pênaltis.

Vinícius não é o único atacante brasileiro que frustrou seus compatriotas. Raphinha se tornou uma estrela no Barcelona sob o comando de Hansi Flick, conquistando títulos e disputando a Bola de Ouro. Catalão adotado e querido no Camp Nou por sua coragem e respeito pelo distintivo, ele continua condenado ao ostracismo no Brasil. Houve um tempo em que os torcedores argentinos pensavam que Lionel Messi se importava mais com seu clube do que com seu país e essa percepção agora persegue Raphinha no Brasil.

Ele não se ajudou. Raphinha afirmou que o Brasil iria “golpear a Argentina, dentro e fora de campo” nas eliminatórias para a Copa do Mundo do ano passado, por isso foi amplamente ridicularizado quando perdeu por 4-1. O ridículo continuou quando ele falou sobre os jogadores de futebol terem que abrir mão das férias para disputar torneios. E ele apresentou outro desastre de relações públicas poucos dias antes da Copa do Mundo, dizendo que não tinha nada a provar ao povo no Brasil.

“Eu entreguei muito pela seleção nacional”, disse ele aos repórteres. “Na medida do possível, principalmente nesse ciclo, consegui entregar um bom futebol. O carinho da torcida brasileira é muito diferente do carinho dos estrangeiros que me acompanham diariamente. Se tiver que me provar, é por mim, pelos meus pais, pelos meus filhos, pela minha esposa. Entendo que tem gente que não gosta do meu futebol. Tudo bem. Tem dias que não vou entregar, mas procuro sempre dar o meu melhor. Saí do Brasil muito jovem, então é normal que as pessoas desconfiem. É OK.

O torneio não correu bem até agora. Ele sofreu uma lesão no tendão da coxa na estreia do Brasil e foi substituído por Rayan, que impressionou contra a Escócia e deve manter sua vaga na partida das oitavas de final contra o Japão. Pode ser a primeira vez que Carlo Ancelotti mantém o mesmo XI em 16 partidas no comando. É provável que Raphinha volte a tempo para as quartas de final, onde o Brasil poderá enfrentar a Inglaterra. Se ele deveria reconquistar seu lugar de Rayan será um grande ponto de discussão. A única maneira de Raphinha destruir o rótulo de fracassado internacional é fazendo isso em um grande torneio.

Vinicius Junior comemora após marcar contra a Escócia, em Miami. Fotografia: Chandan Khanna/AFP/Getty Images

Já Vinícius rasgou o seu e dançou em cima dele. Ele salvou o Brasil com um momento de brilhantismo contra o Marrocos, marcando o tipo de gol que vem marcando há anos no Bernabéu. O Brasil foi criticado depois dessa exibição, mas começou a se divertir desde então, derrotando o Haiti e a Escócia por 3 a 0 e terminando na liderança do grupo.

Vinícius agora parece feliz de amarelo e verde; ele foi eleito o melhor jogador em todos os três jogos da fase de grupos. Depois de marcar e fazer um gol contra o Haiti, ele fez uma dobradinha contra a Escócia. Se não fosse a intervenção do VAR, ele teria se tornado o primeiro brasileiro a marcar três gols em uma Copa do Mundo desde Pelé em 1958.

O jogador de 25 anos já está em boa companhia, tendo se juntado a Pelé, Ronaldo, Romário, Rivaldo e Garrincha marcando nos três jogos da fase de grupos pelo Brasil. Ele marcou nove gols em 49 partidas antes do torneio; agora ele pode adicionar quatro em seus últimos três. Walter Casagrande, o ex-jogador brasileiro que agora é um comentarista famoso, diz que está comendo na mesma mesa que Lionel Messi e Kylian Mbappé, competindo pela Chuteira de Ouro e pela Bola de Ouro do torneio.

O redator esportivo Paulo Vinicius Coelho se diz o “herói da resistência” do Brasil e questiona por que os torcedores ainda “gritam Neymar e não Vinícius Júnior”. Quando Neymar saiu do banco em Miami foi comemorado com mais vigor e volume do que qualquer gol de Vini. Talvez o foco em Neymar esteja a favor de Vinícius. Ele pode simplesmente seguir em frente enquanto seu empresário lida com perguntas sobre Neymar e também sobre a sensação adolescente Endrick.

De qualquer forma, sempre daria certo com Ancelotti. O grande treinador do futebol e tio fixe levou Vinícius a alturas vertiginosas em Madrid, enquanto outros estrategistas – como Xabi Alonso – fracassaram. Ancelotti emprega uma combinação perfeita de rigor, diversão e proteção. O mesmo homem que certa vez repreendeu publicamente Rodrygo por não apertar sua mão após ser substituído também faz apostas bobas com seus jogadores. Ele conseguiu enganar Fede Valverde para que ele chutasse mais de fora, avisando-o: “Se você não marcar 10 gols, vou rasgar minha licença de treinador e me aposentar”. Ancelotti fez aposta semelhante com Vinícius para incentivá-lo a marcar mais gols de cabeça. Ancelotti admitiu que Vinícius “não trabalha muito sem bola”, mas está pressionando neste torneio e rendendo gols.

Vinícius claramente admira seu técnico, dizendo: “Ele é um dos melhores treinadores do mundo. Ele entende muito bem os jogadores e se adapta a eles. Ele veio aqui e entendeu como deveríamos jogar. Tem funcionado. Vamos evoluir muito durante a competição. Ele vai fazer o time crescer durante o torneio.” Certamente ajudou Vinícius a crescer, pelo Brasil e pelo Real Madrid.

Quando entrevistamos Vinícius há seis anos, ele disse: “Espero um dia poder fazer todos os brasileiros torcerem por mim”. A cada grande atuação nesta Copa do Mundo ele fica mais perto.

Este é um artigo de Tom Sanderson

Share

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *