Thomas Tuchel enfrenta um enigma de ataque. A Inglaterra precisa extrair o máximo de Harry Kane e, ao mesmo tempo, fazer com que outros jogadores contribuam mais. O desempenho de Jude Bellingham contra o Panamá mostrou como ambos os lados desta equação podem ser resolvidos.
Kane marcou 13 gols nas 17 partidas de Tuchel pela Inglaterra, e nenhum outro jogador contribuiu com mais do que três. Ele marcou um pênalti e um cabeceamento em escanteio contra a Croácia, depois acertou por cima da trave em um rebote na partida contra Gana. Poucas coisas dignas de nota foram criadas para ele em jogo aberto.
Um centroavante geralmente recebe menos passes do que seus companheiros de equipe (embora Kane muitas vezes tente corrigir isso recuando), mas o problema para a Inglaterra tem sido qual de seus jogadores tem entregado a bola ao seu número 9 neste torneio. Muito raramente foi quem eles esperavam.
Jordan Pickford fez o maior número de passes para Kane na partida de abertura, com três, antes de Marc Guéhi liderar com o mesmo número no segundo jogo. Três jogadores jogaram quatro contra ele contra o Panamá, embora Bellingham precisasse de apenas dois para provar que a qualidade supera a quantidade.
Gráfico mostrando passes para Kane e chances criadas para Kane por jogadores ingleses na Copa do Mundo de 2026
É surpreendente que o meio-campista do Real Madrid e Kane não tenham se unido mais pela seleção nacional. Os dados da Opta mostram que antes do jogo contra o Panamá, Bellingham criou apenas três chances para o artilheiro da Inglaterra em 1.154 minutos de tempo compartilhado em campo em grandes torneios.
Gráfico mostrando o número de chances que Jude Bellingham criou para Harry Kane nos principais torneios internacionais
O único gol que combinaram em uma partida internacional antes desta Copa do Mundo ocorreu em uma vitória amistosa em Hampden Park, em 2023. Um passe muito semelhante ao que destravou a defesa da Escócia naquela noite fez o mesmo contra o Panamá.
A Inglaterra gerou apenas 0,54 gols esperados nos primeiros 56 minutos da partida contra o Panamá, antes que um passe de Bellingham preparasse Kane para a primeira grande chance definida pela Opta na disputa. Nos 10 minutos seguintes, o meio-campista ganhou escanteio, marcou e deu assistência a Kane para o segundo gol da Inglaterra.
A Opta possui uma métrica chamada assistências esperadas, que mede a probabilidade de passes completos se tornarem assistências para gol. Os passes de Bellingham contra o Panamá foram avaliados em 0,57, o maior valor de qualquer jogador da Inglaterra em um jogo da fase de grupos. Noni Madueke (com 0,66) foi o único outro integrante do elenco a atingir essa marca no total nos três jogos.
Gráfico mostrando as três melhores assistências esperadas da Inglaterra em cada partida da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026
Os passes de Bellingham para Kane foram uma grande parte desta contagem. Em termos de golos esperados, as oportunidades que criou foram a segunda e a quarta oportunidades de maior valor que qualquer jogador inglês criou para outra na fase de grupos.
O desafio para Tuchel é tornar tais momentos uma ocorrência regular, com a República Democrática do Congo provavelmente a utilizar um bloco baixo na quarta-feira.