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Lucimar das Neves, irmão de Leide das Neves e vítima do Césio-137, morre aos 53 anos em Goiás

Lucimar das Neves Ferreira foi encontrado morto em Aparecida de Goiânia. Ele tinha 14 anos quando foi exposto à radiação no acidente com Césio-137, em 1987.

Lucimar das Neves Ferreira, irmão de Leide das Neves Ferreira, uma das vítimas mais conhecidas do acidente radiológico com Césio-137 em Goiânia, morreu aos 53 anos em Goiás. Ele foi encontrado sem vida em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, no sábado (25).

A informação foi confirmada pela família. Até o momento, a causa da morte de Lucimar das Neves não foi divulgada. O velório e o sepultamento ocorreram no domingo (26), em Abadia de Goiás.

Lucimar das Neves foi vítima do acidente com Césio-137

Lucimar tinha apenas 14 anos quando foi exposto ao Césio-137, durante o acidente radiológico que atingiu Goiânia em setembro de 1987.

O episódio começou depois que um aparelho de radioterapia abandonado em uma clínica desativada foi retirado do local e levado para um ferro-velho. Dentro do equipamento havia uma cápsula com material radioativo. Depois que a cápsula foi aberta, o material contaminante acabou sendo manipulado e levado para diferentes locais, provocando uma das maiores tragédias radiológicas já registradas fora de uma instalação nuclear.

Lucimar fazia parte da família diretamente atingida pela contaminação. Na época do acidente, ele precisou receber atendimento médico e chegou a ser transferido para o Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro, em razão da exposição à radiação.

Irmão de Leide das Neves

A história de Lucimar também ficou ligada à de sua irmã mais nova, Leide das Neves Ferreira.

Leide tinha apenas 6 anos quando foi contaminada pelo Césio-137. Ela morreu em outubro de 1987 e se tornou um dos principais símbolos da tragédia que marcou a história de Goiânia e de Goiás.

A morte de Lucimar representa uma nova perda para a família das vítimas do acidente. A mãe dos dois, Lourdes das Neves, confirmou o falecimento do filho.

Morte de Lucimar reacende lembranças da tragédia em Goiânia

O falecimento de Lucimar também voltou a chamar atenção para as consequências que o acidente com Césio-137 deixou para as famílias diretamente envolvidas.

O presidente da Associação das Vítimas do Césio-137, Marcelo Santos Neves, destacou a necessidade de apoio à família neste momento, especialmente à mãe de Lucimar, que décadas atrás já havia enfrentado a perda de Leide.

O acidente de 1987 provocou a contaminação de centenas de pessoas e deixou quatro mortes diretamente associadas à exposição ao material radioativo. O caso permanece como um dos episódios mais marcantes da história de Goiás e da radiologia no Brasil.

O que aconteceu no acidente com Césio-137?

O acidente radiológico de Goiânia teve início em setembro de 1987, quando um aparelho de radioterapia que estava abandonado em uma antiga clínica foi retirado do local por catadores de materiais recicláveis.

O equipamento acabou chegando a um ferro-velho, onde a cápsula que continha Césio-137 foi aberta. O material radioativo, que apresentava uma aparência azulada, foi manipulado por pessoas que desconheciam o perigo.

A contaminação se espalhou para diferentes pessoas e locais antes que as autoridades identificassem a origem do problema. O episódio provocou uma grande operação de emergência, com monitoramento de moradores e identificação das pessoas que tiveram contato com o material.

Entre as vítimas fatais diretamente relacionadas ao acidente estão Leide das Neves Ferreira, Maria Gabriela Ferreira, Israel Batista dos Santos e Admilson Alves de Souza.

Legado do Césio-137 continua vivo em Goiás

Quase quatro décadas depois do acidente, o caso do Césio-137 continua presente na memória de Goiânia e das famílias afetadas.

A história de Leide das Neves tornou-se símbolo da dimensão humana da tragédia, enquanto sobreviventes como Lucimar carregaram ao longo da vida as lembranças de um dos episódios mais graves envolvendo material radioativo no Brasil.

A morte de Lucimar das Neves, aos 53 anos, volta a colocar em evidência a história das vítimas do Césio-137 e a necessidade de preservar a memória do acidente ocorrido em Goiânia em 1987.

Até a publicação desta reportagem, não havia sido divulgada a causa da morte de Lucimar das Neves Ferreira.