Islamabad corre o risco de perder o apoio do Fundo Monetário Internacional devido ao Talibã.

Islamabad corre o risco de perder o apoio do Fundo Monetário Internacional devido ao Talibã.

A escalada militar entre o Paquistão e o Afeganistão ocorre em um momento em que o Fundo Monetário Internacional (FMI) considera a terceira revisão de seu programa de ajuda a Islamabad. O fechamento das passagens de fronteira, a inflação crescente e a crise energética, exacerbada pela guerra no Oriente Médio, ameaçam comprometer uma recuperação econômica já frágil.

Islamabad (AsiaNews) – O conflito armado entre o Paquistão e o Afeganistão ameaça bloquear a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) a Islamabad. Inspetores da instituição financeira estão no país para a terceira revisão do programa de recuperação econômica, que poderia desbloquear novos recursos e impulsionar a confiança dos investidores.

No entanto, a escalada militar ao longo da fronteira afegã, que nos últimos dias causou dezenas de mortes e centenas de milhares de deslocados, agora ameaça comprometer todo o processo.

Após anos de tensão, Islamabad atacou as estruturas políticas e militares do regime talibã no Afeganistão, acusado de abrigar e apoiar grupos terroristas que atacam o Paquistão.

Nos últimos meses, a economia paquistanesa havia mostrado sinais de melhora: a inflação estava desacelerando e a confiança dos investidores, após anos difíceis, parecia estar prestes a retornar gradualmente.

No entanto, os confrontos já tiveram efeitos concretos. As principais passagens de fronteira estão fechadas há meses, interrompendo importantes rotas comerciais e causando o aumento dos preços de muitos produtos.

O comércio bilateral entre os dois países do sul da Ásia totalizou aproximadamente US$ 700 milhões em 2024, representando cerca de 2% das exportações paquistanesas, mas o volume real de comércio provavelmente é muito maior devido a uma vasta rede de comércio informal.

Com esses canais comerciais agora bloqueados, a inflação também começou a subir novamente. Em fevereiro, Islamabad registrou uma taxa anual de 7%, acima dos 5,8% do mês anterior.

A crise econômica foi então agravada pela guerra travada por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã. O fechamento do Estreito de Ormuz está pressionando o fornecimento de energia de muitos países asiáticos.

No caso do Paquistão, cerca de 80% do petróleo bruto que importa passa pelo estreito. Além do aumento dos custos de transporte e seguro para petroleiros, o país corre o risco de sofrer com a escassez de combustível.

Por esse motivo, o Ministro do Petróleo, Ali Pervaiz Malik, solicitou à Arábia Saudita (com quem o Paquistão assinou um pacto de defesa mútua) que considere uma rota alternativa pelo porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

Enquanto isso, o governo já começou a implementar medidas extraordinárias para reduzir o consumo de combustível, incluindo, por exemplo, a adoção do trabalho remoto e do ensino a distância para limitar as viagens.

Uma crise energética prolongada pode agravar rapidamente a inflação, segundo especialistas. O setor industrial pode ser um dos mais afetados: a redução no fornecimento de gás natural liquefeito pode causar apagões e prejudicar a indústria têxtil, um dos principais motores das exportações paquistanesas. Diversos carregamentos destinados a varejistas internacionais de vestuário estão retidos em portos de partida no sul da Ásia.

A situação também preocupa os parceiros internacionais de Islamabad. Para a China e a Arábia Saudita, a conclusão do programa com o Fundo Monetário Internacional é essencial para garantir a estabilidade financeira do país.

Para Pequim, os riscos são particularmente altos. O Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC), uma rede de infraestrutura bilionária construída como parte da Iniciativa Cinturão e Rota, atravessa o Baluchistão, uma das regiões mais instáveis ​​do Paquistão, que faz fronteira com o Irã e está mais exposta aos riscos de escalada militar, visto que grupos separatistas armados já atuam na região.

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