O boom do setor de energia na Tunísia não conseguiu impulsionar o crescimento econômico.

O boom do setor de energia na Tunísia não conseguiu impulsionar o crescimento econômico.

A Tunísia apresenta um paradoxo econômico peculiar: apesar de ter alcançado acesso quase universal a infraestruturas básicas essenciais, o país continua a enfrentar desafios econômicos estruturais e territoriais persistentes.

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INS) confirmam que a Tunísia é um dos países mais bem equipados do Norte da África em termos de cobertura de serviços públicos residenciais. Em 2023, o acesso à rede de água potável havia se expandido para 91,7% dos domicílios, atendendo aproximadamente 11,7 milhões de pessoas, em comparação com 7,5 milhões em 1994. Da mesma forma, o setor elétrico atingiu quase a saturação total, com taxas de conexão subindo de 86,8% em 1994 para 99,9% em 2023. Essas conquistas são resultado de décadas de investimento público contínuo, particularmente por meio de programas de eletrificação rural e expansão do abastecimento de água.

No entanto, esses marcos em serviços públicos são contrabalançados por lacunas significativas em outras áreas críticas de infraestrutura, principalmente no saneamento. Embora a porcentagem de domicílios conectados à rede pública de saneamento tenha crescido de 39,1% em 1994 para 65,4% em 2023, aproximadamente 2,146 milhões de domicílios permanecem sem acesso à rede. Essa disparidade entre o acesso à água e a cobertura de saneamento representa um grande obstáculo para as políticas públicas, visto que redes de saneamento incompletas contribuem para a poluição ambiental e limitam a qualidade de vida em regiões rurais e periurbanas.

Além das estatísticas técnicas, essa base de infraestrutura não tem sido suficiente para proteger o país de dificuldades econômicas mais amplas. O ambiente macroeconômico da Tunísia permanece limitado pela alta dívida pública, pressões inflacionárias e crescimento lento, com as taxas de desemprego — particularmente entre jovens e graduados universitários — permanecendo uma fonte persistente de preocupação social. Embora o governo continue priorizando grandes projetos, como a expansão planejada do Aeroporto de Cartago, orçada em US$ 1 bilhão, e as extensas melhorias na malha rodoviária programadas para 2026, especialistas observam que a infraestrutura física por si só não é a solução para todos os problemas. A recuperação sustentada exigirá ir além do mero desenvolvimento de capacidades, abordando também os gargalos estruturais, melhorando a logística e reformando o ambiente institucional para atrair melhor o investimento e estimular a criação de empregos.

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