Rui Pinto, o hacker por trás das revelações do Football Leaks que expuseram negociações duvidosas no futebol mundial, foi absolvido na quarta-feira de todas as acusações num segundo julgamento português, apesar de já ter sido condenado por crimes semelhantes.
O jogador de 37 anos estava a ser julgado desde janeiro de 2025 por 241 alegadas acusações de acesso ilegal a contas de correio eletrónico pertencentes a diversas entidades desportivas portuguesas, incluindo o clube de futebol Benfica, escritórios de advogados, magistrados e autoridade fiscal.
O caso foi arquivado depois de o tribunal ter decidido que as acusações eram “inválidas”, por se tratarem de um caso pelo qual Pinto já tinha sido julgado e condenado em setembro de 2023.
Na época, ele foi condenado a quatro anos de prisão com suspensão suspensa por uma série de crimes cibernéticos, bem como por tentativa de extorsão contra um fundo de investimento esportivo.
“A acusação violou os direitos do arguido”, que foi sujeito a “violência processual”, afirmou o tribunal na sua decisão, citada por vários meios de comunicação locais.
Pinto ocupou o duplo estatuto de arguido e testemunha protegida em Portugal e cooperou com investigadores de outros países europeus, incluindo França.
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No seu primeiro julgamento, admitiu ter utilizado meios ilegais para obter milhões de documentos, que começou a publicar online no final de 2015. Entre 2015 e 2018, Pinto partilhou 18,6 milhões de documentos na internet e com um consórcio de jornais europeus, que publicou detalhes das revelações que abalaram o mundo do futebol.
Os vazamentos revelaram os salários de Lionel Messi e Neymar. Também chamaram a atenção mundial para um processo de alegação de violação envolvendo Cristiano Ronaldo, que mais tarde foi rejeitado por um juiz dos EUA.
Pinto foi detido em janeiro de 2019 pela polícia húngara em Budapeste, onde vivia enquanto as autoridades portuguesas procuravam a sua extradição. Ele passou mais de um ano em prisão preventiva antes de concordar em cooperar com as autoridades em outros casos, concedendo-lhes acesso a dados criptografados.
Em 2023, ele foi condenado a seis meses de prisão suspensa na França por hackear e-mails de executivos do Paris Saint-Germain. Está também por trás do “Luanda Leaks”, uma investigação publicada em 2020 sobre Isabel dos Santos, filha do ex-presidente de Angola José Eduardo dos Santos, que governou durante 38 anos.