Guerra na Ucrânia e eleição brasileira movimentam cenário político
Dois acontecimentos recentes chamam atenção no cenário político internacional e brasileiro. Na Rússia, o presidente Vladimir Putin assinou um decreto que abre caminho para o Estado assumir temporariamente o controle de infraestruturas privadas consideradas estratégicas quando seus proprietários não conseguirem protegê-las ou repará-las após ataques de drones ucranianos.
No Brasil, uma nova pesquisa divulgada pela VEJA mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) em vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno no Rio Grande do Sul. O levantamento aponta 52% para Flávio contra 42% para Lula.
Embora sejam acontecimentos distintos, os dois episódios refletem um momento de forte movimentação política: de um lado, a guerra entre Rússia e Ucrânia continua provocando impactos econômicos e estratégicos; de outro, a disputa presidencial brasileira de 2026 começa a apresentar diferenças significativas entre regiões.
Putin autoriza controle estatal de empresas estratégicas na Rússia
A decisão de Putin ocorre diante do aumento dos ataques ucranianos com drones de longo alcance contra alvos dentro do território russo.
O novo decreto permite que o governo russo assuma temporariamente o controle de determinadas instalações privadas quando seus proprietários não forem capazes de garantir a proteção ou realizar os reparos necessários depois de ataques. Entre os setores potencialmente envolvidos estão energia, combustíveis, indústria, transporte e comunicações.
O Kremlin apresenta a medida como uma resposta às necessidades de segurança provocadas pela intensificação dos ataques.
A decisão, porém, também mostra como a guerra está ultrapassando cada vez mais as áreas diretamente próximas da linha de frente e atingindo a infraestrutura econômica russa.
Ataques de drones pressionam infraestrutura russa
A Ucrânia vem ampliando o uso de drones capazes de atingir alvos a centenas ou até mais de mil quilômetros de distância.
Entre os alvos atingidos recentemente estão refinarias, instalações logísticas, estruturas industriais e centros de distribuição. A estratégia ucraniana busca aumentar os custos econômicos da guerra e pressionar a capacidade russa de manter suas operações militares.
A intensificação dos ataques também cria dificuldades para o sistema russo de defesa aérea.
Além de instalações ligadas ao setor energético, empresas privadas passaram a enfrentar uma nova realidade de risco operacional, obrigando o governo a discutir mecanismos de proteção mais amplos.
Rússia enfrenta impacto econômico crescente
O prolongamento da guerra aumenta a pressão sobre as finanças russas.
Moscou já elevou impostos e ampliou o endividamento para lidar com as necessidades orçamentárias relacionadas ao conflito. Paralelamente, danos provocados por drones podem interromper produção, transporte e distribuição de combustíveis.
O novo decreto de Putin pode ser interpretado, portanto, como uma tentativa de garantir que instalações consideradas essenciais continuem funcionando mesmo quando empresas privadas enfrentarem dificuldades para protegê-las.
O governo russo, entretanto, rejeita a interpretação de que a medida represente uma nacionalização generalizada das empresas.
Ucrânia aumenta ataques dentro do território russo
A estratégia de Kiev mudou significativamente ao longo da guerra.
Em vez de concentrar operações exclusivamente nas regiões próximas à frente de batalha, as forças ucranianas passaram a realizar ataques de longa distância contra instalações importantes para a economia russa.
A intenção é atingir pontos considerados relevantes para o esforço de guerra, incluindo refinarias e centros logísticos.
O avanço dessa estratégia representa uma nova dimensão do conflito e aumenta o risco de interrupções econômicas dentro da Rússia.
Guerra também afeta empresas privadas
Um dos elementos mais importantes da nova medida russa é a participação direta de empresas privadas na resposta aos ataques.
Segundo a AP, mecanismos existentes permitem que companhias adquiram equipamentos próprios de defesa, mas a nova decisão de Putin amplia a responsabilidade do Estado sobre instalações consideradas críticas.
Na prática, empresas que administram estruturas essenciais podem ter de cumprir exigências adicionais de segurança.
Caso não consigam proteger ou recuperar suas instalações, o governo poderá intervir temporariamente.
Flávio Bolsonaro abre vantagem sobre Lula no segundo turno no Rio Grande do Sul
No Brasil, o cenário eleitoral também apresentou uma mudança importante.
Pesquisa Real Time Big Data, divulgada em 25 de agosto, mostra Flávio Bolsonaro com 52% das intenções de voto contra 42% de Lula em um eventual segundo turno no Rio Grande do Sul.
O levantamento ouviu 1.600 pessoas entre 20 e 24 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
A diferença de dez pontos entre os candidatos é maior do que a margem de erro indicada pela pesquisa.
Primeiro turno mostra disputa apertada
No cenário de primeiro turno testado pelo levantamento, a vantagem de Flávio é bem menor.
O senador aparece com 40%, enquanto Lula registra 39%.
Na sequência estão Renan Santos, com 7%, e Pablo Marçal, com 5%. Ronaldo Caiado e Zema aparecem com 2% cada.
O resultado mostra que a distribuição dos votos entre os demais candidatos pode ter papel importante na formação de um eventual segundo turno.
Pesquisa no Rio Grande do Sul
| Cenário | Flávio Bolsonaro | Lula |
|---|---|---|
| Primeiro turno | 40% | 39% |
| Segundo turno | 52% | 42% |
Os números correspondem ao levantamento Real Time Big Data divulgado em 25 de agosto.
Rejeição pesa na disputa presidencial
A mesma pesquisa mostra níveis elevados de rejeição entre os dois principais candidatos.
No Rio Grande do Sul, 51% dos entrevistados disseram que não votariam em Lula, enquanto a rejeição a Flávio Bolsonaro ficou em 48%.
Esse indicador é importante porque uma eleição presidencial em dois turnos depende não apenas da capacidade de conquistar eleitores, mas também da possibilidade de ampliar o apoio entre pessoas que inicialmente rejeitam determinado candidato.
Avaliação do governo Lula no estado
A pesquisa também mediu a percepção dos gaúchos sobre o governo federal.
Segundo o levantamento, 56% desaprovam o governo Lula, enquanto 43% afirmam aprová-lo. Na avaliação da administração, 45% classificam o governo como ruim ou péssimo, 32% como ótimo ou bom e 22% como regular.
Esses números ajudam a contextualizar o desempenho do presidente no estado, embora uma pesquisa de opinião não permita determinar sozinha o resultado de uma eleição futura.
Cenário nacional continua mais equilibrado
Os números do Rio Grande do Sul não devem ser confundidos com uma fotografia do eleitorado brasileiro como um todo.
Levantamentos nacionais recentes apresentam cenários diferentes. Uma pesquisa BTG/Nexus divulgada pela VEJA em 24 de agosto, por exemplo, mostrou Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 45% em um eventual segundo turno nacional, diferença de apenas um ponto percentual e dentro da margem de erro.
Outra pesquisa Datafolha divulgada anteriormente também apontou empate técnico no segundo turno em nível nacional, enquanto pesquisas estaduais registraram diferenças mais amplas em determinadas regiões.
Isso demonstra que o comportamento eleitoral varia significativamente conforme o estado.
Sul aparece como região favorável a Flávio
O Rio Grande do Sul não é o único estado da região Sul onde Flávio aparece em vantagem.
Levantamentos recentes citados pela VEJA mostram o senador à frente de Lula nos três estados da região no primeiro turno. Em Santa Catarina, a diferença indicada pela pesquisa chegou a 25 pontos; no Paraná, a vantagem foi de 18 pontos; no Rio Grande do Sul, de 6 pontos no cenário de primeiro turno analisado.
O desempenho regional pode ser relevante para a estratégia eleitoral dos dois grupos.
O que os dois acontecimentos mostram?
Apesar de tratarem de assuntos completamente diferentes, os dois episódios mostram como decisões políticas continuam tendo forte impacto sobre a economia e a sociedade.
Na Rússia, a guerra está levando o governo a ampliar sua participação na proteção de estruturas privadas consideradas estratégicas. A medida ocorre enquanto a Ucrânia intensifica ataques de drones contra alvos econômicos dentro do território russo.
No Brasil, as pesquisas começam a revelar um mapa eleitoral bastante desigual, com diferenças importantes entre regiões e estados.
A disputa nacional, portanto, ainda está sujeita a mudanças conforme novos levantamentos sejam divulgados e a campanha avance.