Se você pensava que a abertura de capital da SpaceX abriria Elon Musk a uma possível demissão por parte dos acionistas, pense novamente. De acordo com um trecho do seu pedido de IPO analisado pela Reuters, os potenciais investidores que desejam participar da iminente oferta pública inicial da SpaceX foram informados de que Musk não pode ser destituído de seus cargos de CEO e presidente sem o seu consentimento. Claro que seria bom se o resto de nós tivesse essa cláusula, hein?
O status de rei de Musk à frente da empresa é o resultado de algumas trapaças nos registros da SpaceX. De acordo com a Reuters, os documentos da empresa afirmam que Musk “só pode ser removido do nosso conselho ou desses cargos pelo voto dos titulares da Classe B”. Essas são ações que têm dez votos cada e são atualmente controladas por Musk.
Esse poder vem além da estrutura de classe dupla planejada da SpaceX, que a maioria das empresas de tecnologia escolhe para permitir que seus fundadores mantenham mais controle da empresa, mas esse modelo deixa o chefe da empresa ainda vulnerável, porque o conselho pode destituí-los. O monopólio de Classe B de Musk isola-o desse resultado. De acordo com a Reuters, o documento afirma que se Musk “mantiver uma parte significativa de suas participações em ações ordinárias Classe B por um longo período de tempo, ele poderá continuar a controlar a eleição e destituição da maioria de nosso conselho”.
Isso supostamente dá a Musk o que equivaleria a poder de veto sobre qualquer tentativa de removê-lo. É o equivalente corporativo do “Não há alguém que você esqueceu de perguntar?” meme. A estrutura daria a Musk tanta proteção que a SpaceX (e xAI e X) alerta os investidores que eles não deveriam contar com muito controle sobre a empresa. De acordo com a Reuters, eles foram informados de que o controle de Musk sobre as rédeas “limitará ou impedirá sua capacidade de influenciar assuntos corporativos e a eleição de nossos diretores”.
Tal como acontece com a maioria das coisas, Musk não inventou realmente esta estratégia, mesmo que receba o crédito por isso. Mark Zuckerberg foi pioneiro em uma estratégia semelhante para manter seu controle sobre o Facebook e se tornou motivo de inveja no Vale do Silício. Zuck detém até 90% das ações Classe B da empresa – aquelas com 10 vezes o poder de voto do acionista médio. Esse controle permitiu que Zuckerberg enfrentasse tempestades na Meta às quais outro CEO poderia ter tido que responder – como, por exemplo, queimar cerca de US$ 80 bilhões em busca de um projeto de realidade virtual fadado ao fracasso.
Dada a volatilidade de Musk como pessoa, não é difícil imaginar por que um conselho poderia querer puxar a alavanca de ejeção e colocar uma pessoa normal – de preferência uma sem qualquer presença nas redes sociais – no assento. Mas, para crédito de Musk, ele é inteligente o suficiente para garantir que livrar-se dele nunca será tão fácil.