Um diálogo de alto nível realizado na sede do AfDB explorou como o acesso à justiça, as reformas legais e as oportunidades econômicas são fundamentais para o avanço do empoderamento das mulheres em toda a África.
Para marcar o Dia Internacional da Mulher de 2026, o Grupo Banco Africano de Desenvolvimento promoveu um diálogo de alto nível intitulado “Justiça para Ela: Direitos, Justiça e Empoderamento Econômico das Mulheres na África”.
A sessão, realizada na sede do Banco, explorou como o acesso à justiça, a proteção legal e as salvaguardas institucionais moldam a capacidade das mulheres de participar plenamente da vida econômica em toda a África.
O evento reuniu formuladores de políticas, profissionais da justiça, profissionais de desenvolvimento, autoridades tradicionais, empreendedores e estudantes para dar início às comemorações do Dia Internacional da Mulher e à série “Gênero em Foco”, com duração de um mês, que analisa como os projetos do Banco impactam mulheres, meninas e comunidades africanas.
O evento também foi transmitido ao vivo pelas plataformas digitais do Banco, apoiando os esforços mais amplos do Grupo para promover o crescimento inclusivo, inclusive por meio de suas prioridades estratégicas em juventude, igualdade de gênero, governança e desenvolvimento de capital humano.
O evento também foi transmitido ao vivo pelas plataformas digitais do Banco, apoiando os esforços mais amplos do Grupo para promover o crescimento inclusivo, inclusive por meio de suas prioridades estratégicas em juventude, igualdade de gênero, governança e desenvolvimento de capital humano. A palestrante convidada, Nassénéba Touré, Ministra da Mulher, Família e Infância da Costa do Marfim, afirmou que a promoção dos direitos das mulheres é uma prioridade social para a África e uma questão econômica fundamental.
“O desenvolvimento da África não pode acelerar de forma sustentável se metade do seu potencial permanecer subutilizada. E esse potencial são as mulheres africanas”, acrescentou Touré.
A Vice-Presidente Sênior Marie-Laure Akin-Olugbade e a Dra. Jemimah Njuki, Diretora do Banco para Gênero, Mulheres e Sociedade Civil, também discursaram para os participantes.
O evento detalhou como os sistemas jurídicos, as salvaguardas institucionais e as estruturas de liderança comunitária moldam a capacidade das mulheres de participar plenamente da vida econômica.
Alguns pontos principais:
- O empoderamento econômico das mulheres começa com o acesso a direitos e justiça
As palestrantes afirmaram que o empoderamento econômico das mulheres está intimamente ligado ao acesso a direitos, à proteção legal e a sistemas de justiça funcionais. Em toda a África, as mulheres continuam a enfrentar barreiras estruturais no acesso à terra, a serviços financeiros e à proteção legal.
“Promover os direitos das mulheres não é uma questão setorial, é fundamental para o desenvolvimento nacional, a competitividade econômica e a estabilidade a longo prazo da África”, disse Akin-Olubade. “Quando as mulheres não têm acesso à terra, financiamento ou proteção legal, as economias como um todo pagam o preço com a perda de produtividade e o crescimento mais lento”, acrescentou.
2 Reformas legais podem expandir as oportunidades econômicas das mulheres
Reformas legais e políticas são ferramentas essenciais para expandir a participação econômica das mulheres. A Costa do Marfim, por exemplo, implementou reformas importantes para reforçar os direitos das mulheres, incluindo medidas para combater a violência de gênero, reformas no direito de família e herança e legislação que promove a representação política das mulheres.
A diretora Njuki afirmou que as barreiras estruturais continuam a limitar as oportunidades econômicas das mulheres em todo o continente.
“Em toda a África, as empresas de propriedade e lideradas por mulheres enfrentam uma lacuna de financiamento estimada em US$ 1,4 trilhão, impulsionada não apenas por restrições de mercado, mas também por desigualdades na propriedade de ativos e no acesso a garantias”, acrescentou Njuki.
- Mulheres empreendedoras ainda enfrentam grandes barreiras estruturais
Painelistas, incluindo representantes da sociedade civil e cooperativas de mulheres, compartilharam experiências em primeira mão sobre as barreiras enfrentadas por mulheres empreendedoras.
O acesso à terra, ao crédito e aos sistemas financeiros formais continua sendo particularmente difícil para as mulheres empreendedoras.
Anasthasie Kouadio, presidente da Union Vivrière Etraikpa de Toumodi, uma cooperativa agrícola liderada por mulheres, afirmou que muitas agricultoras e empreendedoras rurais frequentemente têm dificuldades para obter empréstimos e outros financiamentos de bancos comerciais.
O programa Ação Afirmativa de Financiamento para Mulheres na África (AFAWA) do Banco Africano de Desenvolvimento está ajudando a cooperativa de Kouadio e dezenas de milhares de outras mulheres a acessar financiamento e apoio ao empreendedorismo.
- Reduzir a lacuna entre a lei e a prática continua sendo um desafio fundamental
Embora muitos países africanos tenham adotado marcos legais que promovem a igualdade de gênero, as lacunas de implementação permanecem significativas.
A juíza Fatou Diakité, presidente da Associação de Magistrados da Costa do Marfim, afirmou que os direitos legais nem sempre refletem a realidade. Ela citou a Costa do Marfim como exemplo, relatando aos participantes do evento que as mulheres detêm apenas cerca de 12% dos títulos de propriedade de terras registrados — demonstrando que o acesso à terra previsto em lei nem sempre significa que as mulheres de fato a possuem. Ela disse que é necessário melhorar o acesso das mulheres à justiça, e que isso exige maior conscientização sobre os direitos e acesso facilitado às instituições jurídicas destinadas a servir a população, especialmente as mulheres em áreas rurais.
O líder tradicional Danho Akradji também falou sobre o importante papel que os líderes comunitários podem desempenhar no apoio aos direitos das mulheres e à inclusão econômica.
- Instituições de desenvolvimento podem ajudar a reduzir a lacuna entre os compromissos políticos e as oportunidades reais para as mulheres.
Durante a discussão, Dilys Asuagbor, Chefe do Escritório de Ética do Banco, afirmou que o Banco Africano de Desenvolvimento se beneficia de um sistema de justiça interna relativamente robusto, que combina vias informais para a resolução de problemas com processos formais de investigação e disciplina.
Ao encerrar a sessão, o Dr. Ramzi Ali, Diretor de Serviços de Bem-Estar dos Funcionários, Remuneração e Política de Emprego do Banco, disse que todas as instituições de desenvolvimento têm uma responsabilidade mais ampla de apoiar o acesso à justiça com perspectiva de gênero.