Os resultados mostram que a idade foi o determinante mais importante do nível de memória e da velocidade de declínio. A partir dos 75 anos, as pontuações começaram a cair mais rapidamente. Depois de 85, o declínio tornou-se mais pronunciado. Depressão e doenças crônicas como diabetes também reduziram a pontuação inicial. A solidão, embora tenha influenciado o ponto de partida, não acelerou a inclinação do declínio cognitivo.
O estudo também descobriu que a atividade física estava associada a melhores pontuações iniciais de memória. Pessoas que praticavam atividade física moderada ou vigorosa pelo menos uma vez por mês recordavam mais palavras em testes de recordação imediatos e tardios. Este efeito não alterou a velocidade do declínio, mas aumentou o nível de base, que funciona como uma espécie de “amortecedor cognitivo”.
Embora o estudo não explore as causas da ligação entre solidão e cognição, pesquisas anteriores propuseram mecanismos plausíveis. A solidão está frequentemente associada a menos interação social, fator que influencia o desempenho cognitivo. Também está associado ao aumento do risco de depressão, o que afeta diretamente os testes de memória. Além disso, pessoas solitárias tendem a ter mais problemas de saúde, como hipertensão ou diabetes, que também afetam a função cognitiva.
Até 2050, de acordo com as projecções das Nações Unidas, uma em cada seis pessoas no mundo terá mais de 65 anos. As sociedades estão a entrar numa fase em que a velhice deixará de ser a excepção, mas passará a ser a norma. A demência, assim como outras doenças neurodegenerativas que aparecem com a idade, constituirão um grande desafio para as instituições de saúde.
Esta história apareceu originalmente em wired.com.